É muito importante que mantenhamos, conscientemente, a imagem da semente, a imagem do que representa uma semente.
Uma semente é uma planta em estado de 'vir a ser'. No seu próximo estágio, a semente transforma-se em um planta, para contribuir amorosamente para a evolução da humanidade.
Ela contem, portanto, caos e ordem, ao mesmo tempo. Ambas situações, do caos e da ordem, alternam-se no processo de geração de uma vida nova, da mesma maneira que os encontramos na natureza.
As primeiras sementes que selecionamos, a muitos milhares de anos, vieram acompanhando um movimento em direção aos primeiros agrupamentos de pessoas, e em consequência as primeiras agricultoras e agricultores.
Observar a natureza ao seu redor, perceber as alterações que estavam sendo promovidas, e transformá-la em uma semente, ao acaso ou intencionalmente, representa um refinamento tecnológico ímpar, somente comparável, mas superior, ao manejo do fogo. Então, se houvesse uma propriedade sobre as sementes, ela cabe as agricultoras e agricultores, que desde o início da agricultura empregaram seus esforços completos para chegar ao novo conhecimento contido na semente.
Desta idéia, evolui o pensamento que a semente é um patrimônio comum a muitas pessoas. Por sua vez, cabe as pessoas promover a atenção para as sementes, no sentido de estimular sua preservação no estado mais adequado para a humanidade.



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Primeiro Encontro da Rede de Sementes Livres 
Semeando vida nas Américas

7 de Agosto de 2012

Festival Kokopelli Pachamama

Vale Sagrado dos Incas, Ollantaytambo, Perú

Declaração Pública

Nós, guardiões e guardiãs de sementes das Américas, reunidos hoje, sete de agosto de 2012 em Ollantaytambo, Vale Sagrado dos Incas, Perú, conformando a Rede Sementes Livres:

Reconhecemos, valorizamos, honramos e agradecemos a herança dos povos no trabalho de criar, domesticar, diversificar, preservar, compartilhar, multiplicar e facilitar a evolução da semente crioula e nativa.

Estas sementes são o fundamento da soberania e autonomia alimentar, a saúde e a permanência dos povos e sua cultura nos territórios. Constituem um bem comum e um patrimônio a serviço da humanidade.

Como guardiões e guardiãs defendemos as sementes livres e soberanas e reconhecemos a diversidade como riqueza em todas as suas formas. As sementes crioulas e nativas são fonte de diversidade biológica e cultural já que inspiram a criação individual e coletiva nas comunidades.

Reivindicamos o direito de guardar, reproduzir, multiplicar, intercambiar, doar, compartilhar, vender e presentear livremente as sementes. Nos baseamos na amizade, na confiança e na solidariedade como fatores básicos para a efetiva articulação da rede.

Declaramos que toda variedade e espécie pertence ao domínio público e por isso possui direito de livre circulação, sem fronteiras, para ser compartilhada e intercambiada livremente, já que o movimento revitaliza a semente permitindo sua evolução e adaptação climática, geográfica etc.

Desconhecemos os organismos geneticamente modificados e os híbridos degenerativos como sendo sementes já que não cumprem a função de gerar e sustentar a vida.



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